DOSE PREVIDENCIÁRIA
Pensão por morte pode continuar sendo paga ao filho maior de idade que seja inválido ou tenha deficiência
Texto: Dra. Fernanda Reder
Imagem: Magnific
Filho maior de 21 anos pode receber pensão por morte do INSS? Entenda quando a lei permite
Muitas pessoas acreditam que a pensão por morte do INSS é automaticamente encerrada quando o filho completa 21 anos. No entanto, a legislação previdenciária prevê uma importante exceção: o benefício pode continuar sendo pago ao filho maior de idade que seja inválido ou tenha deficiência, desde que sejam atendidos os requisitos legais.
O direito está previsto na Lei nº 8.213/91 e tem sido reiteradamente reconhecido pelos tribunais, inclusive pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que entende que a invalidez pode surgir após os 21 anos, desde que exista antes do falecimento do segurado.
O que diz a Lei nº 8.213/91?
A Lei de Benefícios da Previdência Social estabelece, em seu artigo 16, inciso I, que são dependentes do segurado:
- o cônjuge ou companheiro;
- os filhos menores de 21 anos;
- os filhos de qualquer idade que sejam inválidos ou possuam deficiência intelectual, mental ou deficiência grave.
Nesses casos, a dependência econômica é presumida, ou seja, não é necessário comprovar que o filho dependia financeiramente do segurado para ter direito ao benefício.
Quando a pensão pode continuar após os 21 anos?
Em regra, a pensão por morte é encerrada quando o filho completa 21 anos.
Entretanto, o art. 77, § 2º, inciso II, da Lei nº 8.213/91 determina que essa limitação não se aplica quando o dependente é inválido ou possui deficiência intelectual, mental ou deficiência grave.
Além disso, a jurisprudência do STJ entende que não é necessário que a invalidez tenha surgido antes dos 21 anos. O requisito essencial é que ela esteja comprovadamente presente antes da data do falecimento do segurado, garantindo o direito à pensão por morte.
O filho precisa comprovar dependência econômica?
Não.
Para os dependentes da primeira classe, como é o caso dos filhos inválidos ou com deficiência, a legislação presume a dependência econômica.
Assim, o foco da análise passa a ser a comprovação da invalidez ou da deficiência e a verificação de que essa condição já existia quando ocorreu o falecimento do segurado.
Quais documentos costumam ser exigidos?
O INSS poderá solicitar documentos como:
- laudos médicos;
- exames;
- prontuários médicos;
- relatórios de especialistas;
- documentos que demonstrem a data de início da invalidez ou da deficiência.
Também poderá ser realizada perícia médica para confirmar a condição do dependente.
O que diz o STJ?
O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento consolidado de que a invalidez posterior aos 21 anos não impede a concessão da pensão por morte, desde que essa incapacidade seja anterior ao falecimento do segurado.
Esse posicionamento garante maior proteção aos dependentes que, mesmo tendo atingido a maioridade, permanecem impossibilitados de prover o próprio sustento em razão de invalidez ou deficiência.
Base legal
O direito está fundamentado principalmente nos seguintes dispositivos:
- Art. 16, inciso I, da Lei nº 8.213/91 – Define quem são os dependentes do segurado e inclui o filho inválido ou com deficiência, independentemente da idade.
- Art. 16, § 4º, da Lei nº 8.213/91 – Estabelece a presunção de dependência econômica para os dependentes da primeira classe.
- Art. 77, § 2º, inciso II, da Lei nº 8.213/91 – Determina que a pensão por morte cessa aos 21 anos, salvo para o filho inválido ou com deficiência.
Atenção: cada caso deve ser analisado individualmente
Embora a legislação assegure essa proteção, o reconhecimento do direito depende da análise das provas apresentadas e do cumprimento dos requisitos previstos na lei.
Quando houver negativa do INSS ou dúvidas sobre o enquadramento da situação, uma avaliação jurídica especializada pode verificar se todos os requisitos legais foram observados e quais medidas podem ser adotadas para garantir o acesso ao benefício previdenciário.
Sobre a Autora: Dra. Fernanda Reder é Advogada Previdenciarista, OAB/RJ 146.152, ex-servidora do INSS com mais de 19 anos de experiência, atua no Brasil e no exterior.
Leia a coluna mensal em: https://www.maniadesaude.com.br/?s=fernanda+reder




