DOSE PREVIDENCIÁRIA


Cardiopatia Grave e Isenção de Imposto de Renda: o detalhe técnico que quase ninguém conhece

INSS não bloqueia os pagamentos para quem ainda não tem nova identidade.

Texto: Dra. Fernanda Reder
Imagem: Magnific


Muitos aposentados e pensionistas desconhecem que a cardiopatia grave pode garantir isenção de imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria e pensão. O problema é que, na prática, diversos pedidos são negados porque os documentos médicos não demonstram adequadamente os critérios técnicos exigidos pela perícia.


A legislação prevê o benefício para portadores de cardiopatia grave, mas a caracterização da gravidade não depende apenas do nome da doença. A própria II Diretriz Brasileira de Cardiopatia Grave da Sociedade Brasileira de Cardiologia estabelece parâmetros clínicos, funcionais e laboratoriais que devem ser analisados na avaliação médica-pericial.


Isso significa que não basta apresentar um laudo genérico com diagnóstico de infarto, insuficiência cardíaca, arritmia ou valvopatia. É fundamental que os relatórios médicos estejam compatíveis com a diretriz, contendo informações sobre limitação funcional, exames complementares, fração de ejeção, sintomas, histórico clínico, necessidade de procedimentos e repercussão da doença na vida do paciente.


Outro ponto importante: a existência de cirurgia cardíaca, stent ou marcapasso, por si só, não garante automaticamente o reconhecimento da cardiopatia grave. A análise deve considerar a gravidade atual da doença e suas consequências clínicas.


Por isso, antes de ajuizar ação ou formular requerimento administrativo, é essencial revisar cuidadosamente toda a documentação médica. Um relatório técnico bem elaborado pode fazer toda a diferença no reconhecimento do direito e evitar negativas injustas.


Muitos aposentados continuam pagando imposto de renda sem saber que podem ter direito à isenção e até mesmo à restituição de valores pagos indevidamente nos últimos anos.

Fale com uma especialista

Sobre a Autora: Dra. Fernanda Reder é Advogada Previdenciarista, OAB/RJ 146.152, ex-servidora do INSS com mais de 19 anos de experiência, atua no Brasil e no exterior.

Por Anne Tairine Carvalho Rangel 2 de julho de 2026
Nova PEC pode mudar a aposentadoria dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias.
Professor aposentado analisa documentos para revisar aposentadoria do INSS
11 de junho de 2026
Decisão abre oportunidade de revisão para benefícios concedidos pelo INSS nos últimos 10 anos.
Motorista de ônibus pode revisar tempo especial por penosidade após Tema 1307 do STJ
11 de junho de 2026
Uma importante decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) trouxe novas perspectivas para milhares de trabalhadores do setor de transporte em todo o país.
Ver todas